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2013/09/06

A MORTE DE BOMBEIROS CAUSADOS PELOS INCÊNDIOS!


Meus amigos... Boa noite!
A minha opinião sobre o que está acontecer, relacionado com a morte dos Bombeiros no combate aos fogos, deixem que vos diga que isso é tudo culpa de toda a gente, incluindo os próprios bombeiros, governo e população em geral! Vivi em Angola durante 14 anos e, muito novo apercebi-me de que a existência de faíscas provocadas pelas chuvas, aconteciam precisamente nas alturas em que menos chove e o tempo está mais quente! Isto porquê? A natureza está muito bem formada, mas o bicho homem tenta combater-lhe a formação mas não tem hipótese! Pois as faíscas são precisamente para provocarem os fogos e assim poderem arderem os campos que têm ervas e arbustos secos, para que possa nascerem verduras e assim alimentar os animais, pois o homem não tinha que ser dono de animais e nem sequer dono dos campos! Em Angola assisti a muitos fogos que eram feitos pelas faíscas e que todos ficavam a ganhar com isso, pois se não fossem provocados pelas faíscas o próprio homem os punha para que houvesse caça em abundância! Sendo o homem dono dos campos, tal como o são nos países capitalistas e civilizados, que de civilização nada tem, tanto limpavam os campos, como agora deram em os terem ao abandono! Como se encontram ao abandono, o mato cresceu, morreu e outro cresceu, mas já atrofiado por entre pequenos arbustos e, é num amontoado de substâncias secas, que caso se incendeie arde que nem pólvora! Na minha modesta opinião é que, não deveria haver ordens para que os Bombeiros, ou outros, tivessem que apagarem os fogos que venham arder nos matagais, e, por todo o lugar onde não ponha em risco as vidas das pessoas e animais! Deveriam, isso sim, ficarem somente em protecção às habitações e animais domésticos! Deixem arder os pinhais e floresta que as chuvas se encarregaram em trazer mais verduras e renovar o que o homem protege e despreza! Por favor… como não há lei para castigar os incendiários, deixem arder e poupem as vossas e nossa vidas!!! 

2010/03/13

Porquê… necessidade de ser selvagem?


Logo que cheguei a Angola fui viver, numa fazenda de café, entre grandes árvores centenárias, entre os morros do Amboim, Cuanza Sul, perto das belas cachoeiras (quedas de água) que se situavam entre a Gabela e Novo Redondo, actual “Sumbe”. Ali, o ar e as águas eram puras e os únicos barulhos que se ouviam eram os cantares dos belos pássaros que nidificavam por entre a ramagem das palmeiras, dos banzes, bananeiras, taculas, mulembas e cafeeiros.
Aquela era uma zona de muito cacimbo (nevoeiro). Nalgumas manhãs, ele era tão denso que apenas se conseguia vislumbrar o que quer que fosse a uma distância de vinte metros.
Só por volta do meio-dia, quando o Sol rompia víamos aquelas árvores repletas de pombos verdes. Eram tantos que por vezes havia árvores que continham mais pombos do que folhas. Estes viajavam em tão grande velocidade que perante o cacimbo não tinham tempo de parar antes de embaterem contra a nossa casa, que com a sua parede branquinha se confundia com o nevoeiro e acabavam por morrer.
De vez em quando, víamos passar por entre a selva, com plantações de café por baixo de arvoredo de grande porte, um comboio movido a lenha que fazia o trajecto de Porto Amboim à cidade da Gabéla, transportando mercadorias e pessoal. Embora fosse muito lento, este dava uma imagem bonita por entre a selva da montanha, conhecida como “Os morros do Amboim”.
Ali, na fazenda “Quitona” dependência da sede do “Congulo”, estávamos no mato, isolados de toda a civilização, não havia sequer uma escola por perto.
Ali existiam muitos tipos de animais selvagens. Desde javalis, veados, galinhas do mato até milhares de macacos de várias raças.
Lembro-me que um dia, eu, as minhas irmãs e uns amigos negros, entrámos pela mata adentro e por cima de uma enorme laje, na qual estavam sobrepostas outras grandes pedras com cerca de quarenta metros de altura, vimos um vulto branco que se deslocava constantemente sem sair da laje. Passado pouco tempo, notámos que era um grande macaco, talvez pertencente à família dos chimpanzés e, tal como existem pessoas Albinas, também ele o seria e viveria solitariamente por ter sido expulso do clã.
(Isto foi o que eu deduzi).
Passados mais uns quatro anos o meu pai deixou de trabalhar para esse patrão e foi trabalhar alguns meses por conta de seu irmão (Carlos dos Santos Sousa) na Quilenda, mas logo descobriu, no lugar do Lundo, mais propriamente junto à “sanzala Cananguena” junto ao rio N’hia, numa das savanas angolanas, uma fazenda com cem hectares, de um proprietário, que se encontrava abandonada.
Aí ficámos até Junho 1975, data em que tudo tivemos que abandonar.
Durante os cinco anos que vivi nas fazendas de Mário da Cunha, eu tinha poucos amigos para conviver, mas na Cananguena tudo mudara: havia muitos adolescentes da minha idade: rapazes e raparigas de raça negra. Como sempre fui de fácil acesso à integração nas comunidades onde vivo, também ali não foi excepção.
Aquela aldeia “Cananguena” como todas outras das savanas ou da selva, era constituída por casas, na sua maioria em forma de círculo, e de paus juntos espetados nos quais era chapada terra misturada com capim seco, que ajudava na consistência da parede, e água, amassada com os pés. A cobertura das casas era feita, também, com paus em forma de cone, que, em vez dos pregos, eram atados com cordas feitas de fibras do caule de árvores: Mulemba, Palmeira ou até mesmo do capim seco entrançado.
Depois eram sobrepostos, sobre essa cobertura de paus, capim ou ramagem de palmeira e assim se formava o tecto.
Alguns porém, já utilizavam a forma de blocos: numa forma, construída de madeira, com quarenta centímetros, quinze de largura e vinte de altura, era colocada aquela massa de terra, puxava-se a forma e logo de seguida fazia-se o mesmo e assim sucessivamente faziam-se centenas de blocos com os quais se erguiam as paredes. Estes blocos eram assentes uns sobre outros unidos com a mesma terra da qual foram construídos. As coberturas, também, eram feitas com paus e capim ou rama de palmeira. Estas casas já eram menos toscas mas, também elas, se enquadravam muito bem na savana, na selva, não destruindo assim, aquele habitat onde tudo era natural.
Era naquela aldeia, com os meus amigos de raça negra, que eu brincava, crescia e aprendia todos os segredos das savanas e selvas africanas. Era também com eles que ouvíamos as estações de rádio que transmitiam muita música de cantores angolanos e cabo-verdianos Eu sou branco por fora, mas, sinto-me negro por dentro.
Com os meus amigos aprendi e acompanhei os seus rituais, a falar Kimbundo e a comer à mão o Funge (pirão) com kuizaca da rama de mandioca, calúlú de rama de batata-doce, quiabos, gimboa, beringelas etc. etc.
Sentia-me um jovem feliz, como todos os outros, éramos livres… éramos a savana e a selva, e, a savana e a selva não tinham sentido sem nós.

Ai que saudades eu sinto destes sabores! Dos sabores… do cheiro, do clima tropical, da chuva quente, de sentir a terra vermelha nas solas dos pés, do chilrear dos pássaros, dos gritos dos macacos, do roncar do javali e da onça (gato do tamanho de um cão grande parecido com um leopardo e muito perigoso), saudades de ouvir e ver as quedas de água (cachoeiras) do rio onde se formava um arco – íris sobre as partículas de água que se projectavam no ar em forma de nevoeiro. Saudades do nascer e por do Sol. Saudades, mas muitas saudades, dos meus colegas e amigos a quem ensinei a ler e a escrever.
Ali não havia pressa para nada. Não precisávamos de relógio. Comia-se quando se tinha vontade.
Dançava-se Kizomba nas clareiras, em frente das casas, por baixo das copas de grandes árvores.
Nos fins-de-semana à noite havia farra, kizomba, ao som de instrumentos, berimbau, batuque, réco-réco, construídos pelos próprios músicos. Até latas serviam para criar sons e dançar toda a noite.
São tantas as saudades que tenho dessas grandes farras na minha idade dos 15 aos 22 anos, onde o ambiente era de pura felicidade e todos iguais.
Não havia preconceitos e dançavam eroticamente, numa grande clareira onde a luz era dada por uma grande fogueira. Aquele era o verdadeiro mundo criado por Deus. Todo aquele povo era um povo humilde.
Nas árvores e caniços das bordas dos rios e ribeiros, os pássaros construíam milhares de ninhos. Havia, mesmo, árvores que chegavam a ter mais ninhos do que folhas. Esses ninhos eram construídos por artesãos que o ser humano não tinha capacidade de entender. Como é que um pássaro consegue entrançar tão bem aquela palha?
Tinham a forma de uma cabaça, ou, de um balão. No topo deixavam-lhe um buraco e era-lhe feito um tubo, com cerca de trinta centímetros, curvo, virado para baixo. Toda a construção era feita de palha “capim” e no seu interior, onde punham os ovos, era colocado algodão ou um material idêntico que era recolhido de uma outra árvore ou da Palmeira.
Eram milhares de filhotes que com os pais produziam sons ao estilo da fauna Africana.
Havia centenas de espécies de pássaros, uns construíam os ninhos nesses ditos arbustos, outros faziam-nos nas Palmeiras, tudo dependia da espécie de pássaro. Havia ainda outros que abriam buracos nos troncos das árvores e lá colocavam os seus ninhos. Havia também nas savanas várias espécies de formigas, das quais vou de uma:
A formiga que depois de nascer “criava” asas para as utilizar somente em dez segundos. Era conhecida por “Salalé”. Esta formiga percorria a savana na busca de folhas e derivados, para o seu sustento.
Mas abria na terra autênticas “cidades” que chegavam a atingir uma profundidade de três metros e uma largura de metro e pouco.
A terra era colocada fora por cima da mesma “cidade”, deixando-lhes orifícios por onde entravam. Esse amontoado poderiam atingir mais de dois metros de altura, e formavam-se, nesses locais, centenas deles, de tal forma que, poderíamos compará-los com uma cidade erguida pelo homem, constituída por prédios de trezentos e tal metros de altura.
Lá no fundo, no buraco, faziam corredores em forma de espiral que podiam atingir um percurso de um quilómetro, deixando, de vinte em vinte centímetros um buraco que daria para salas: “galerias”, onde depositavam os alimentos para entrarem em decomposição.
Numa dessas galerias residia uma formiga que era a rainha-mãe. Não se podia mover porque tinha uma grande barriga repleta de ovos.
Só ela é que punha ovos e todos os dias, as outras formigas, tinham que transportar esses ovos e colocá-los nas galerias junto do alimento que, em decomposição já tinha fungo e estava destinado ao aquecimento dos mesmos e a alimentar os recém nascidos.
Após as primeiras chuvas saíam aos milhões e logo depois de terem sido projectadas no ar formavam uma nuvem e 10 segundos depois perdiam as asas e caiam para dias depois voltarem a ser o que são: as que trabalharam para a sua existência.
No entanto, dos milhões, poucas tinham essa sorte, pois ao saírem do fundo da terra, de onde foram geradas, muita passarada sobrevoava aquele lugar e comia-as.
Havia ainda outro contra para aquela formiga: os meus amigos negros, levavam com eles recipientes com tampa e quando as viam sair pelos orifícios do amontoado, apanhavam-nas e/ou metiam-nas aos punhados na boca e comiam-nas, ou levavam esse, recipiente, cheio para casa e fritavam-nas com óleo de palma, servindo assim de conduto para molhar o pirão.
Este episódio faz parte de outros mais, que poderão ler no meu blog, e que me fazem sentir o deseijo de ser “selvagem”.

2010/01/01

Raça humana não tem cor


Este meu artigo é dedicado a um saudoso povo de raça negra, de Angola, com quem vivi e compartilhei muitos dos seus segredos e das suas coisas nas selvas e savanas. Sentava-me dentro das suas casas, comia o "funge" (alimento muito gostoso feito de farinha de milho e/ou de mandioca), à mão molhando-o no delicioso conduto feito de rama de bata-doce ou da mandioca (kisaca ou calulu) com óleo de palma e, algumas vezes, misturado carne de gazela, javali ou peixe, todos eles secos ao sol.

Nesse mundo não havia fantasias, nem stress, nem iguísmo, nem ódio, nem ganância e nem se falava ou penssava na cólera ou palodismo (malária) que hoje fáz temer tanta gente.

Era o mundo perfeito... "o mundo real" com a sua própria cultura, que o mundo não tem ou não deveria ter o direito de a querer substituir.

Em Angola não conheci o chamado racismo. Nas escolas, hospitais, bares, empresas laborais, não havia discriminação. Os que frequentavam as escolas era brancos, negros, mulatos, mestiços e todos vestiam o mesmo uniforme. Na educação escolar, ou no socorro, na medicina, tanto poderia ser branco, mulato ou negro. Nas empresas havia muitos encarregados ou chéfes que eram negros. E nos bares, nas farras e nas praias conviviam todos com grande cumplicidade e sem preconceitos. Inclusive, existia já muitos casamentos entre as duas cores. Nos quartos e enfermarias dos hospitais estavam os doentes de ambas as cores deitados lado a lado. E quem visitava os seus familiares ou amigos, nos hospitais, não tinha de pagar nada para poder entrar, o que, segundo me contaram, aqui na metrópole, como lhe chamavamos, pagavam.

Não posso também deixar de mencionar que devo a vida a um negro que não conheci mas tenho pena de não o ter conhecido. Certo dia, quando eu tinha 18 anos, inesperadamente senti os meus pulmões a encharcarem-se de um liquido. Eu, já com falta de ar e a sofocar, tossi e à medida que tossia saía, constantemente, sangue em grande quantidade, até que desmaiei e fui transportado para o hospital da cidade próxima (Gabela) que distava cinquenta quilometros do local onde vivia.

Por coincidência ou ironia do destino, quando dei entrada no hospital, o médico que fazia ali trabalho era o mesmo da tropa. Como naquele tempo não havia sangue empacotado para transfusão, o médico tratou logo de ligar para o quartel e ver se havia algum militar com o sague compatível com o meu. Por acaso, e talvez por força da natureza, nesse dia tinha ficado de castigo no quartel um militar de raça negra. Esse militar tinha o mesmo tipo de sangue que eu. Nesse dia tiraram-lhe duas seringas de sangue e 2 vezes por semana lá voltava a oferecer-me a vida. Assim fui salvo. Depois de todo este sofrimento e ao cabo de algum tempo, acabei po melhorar, saír do hospital e voltar para junto do meu clã.

Retomei a minha vida no Kimbo (aldeia), com os meus amigos de raça negra, brincava, crescia e aprendia todos os segredos da selva, savana e a falar a sua lingua (Kimbundo). Era também com eles que ouvíamos as estações rádio que transmitiam muita música de cantores Angolanos e Cabo-Verdianos.

Muita gente dizia, e o Jonas Savimbi també disse nos seus comíssios que: "quem beber água do Bengo (rio angolano), não vai coseguir esquecer e vai sempre sentir saudades de Angola". Mas eu não fiquei apenas apegado a Angola somente pela água do Bengo, tambem foi pelo sangue que me fez retornar à vida.

De adolescente passei a homem, sempre deficiente motor, por isso era levado por eles, os meus amigos, pela selva e savana junto ao rio Nhia. Havia, em abundancia, frutos, legumes e carne. A carne, tanto poderia ser a que criavam como a que caçavam. Sentia-me um homem feliz, como todos os outros éramos livres... éramos a savana e a selva, e, a savana e a selva não tinham sentido sem nós. Cresci, e hoje distante ainda me sinto branco por fora mas negro por dentro.

2009/12/29

Se não fosse o que sou, o que gostaria de ser?




Esta é uma pergunta, ou um raciocínio, que já passou pela massa cerebral de muita gente. Mas é uma coisa impossível de se poder escolher. Escolher, por nós, que genes devem formar o nosso ser. Mas se fosse possível, e me tivessem dado a escolher, escolheria ser da família dos primatas macacos, da raça Sagui.

E porquê ser macaco?

São várias as razões, centenas de razões, que me levam a sentir inveja da vida daqueles primatas. Viver na selva, saltar de ramo a ramo, de árvores de grandes portes, colher alimento sem ter que se preocupar em o produzir, a natureza se encarrega de o fazer existir. Vivem com a lei da natureza, nada lhes falta e são felizes.

A razão que me leva a pensar assim deve-se ao facto de ter feito uma análise ao que se tem passado entre os homens, durante toda a minha vida. Matam-se uns aos outros, por tudo e por nada. Invadem outros povos, sempre com intenção de lhes extorquirem coisas, umas vezes alegando que é pelo regime ali existente, enfim!

Mas pensemos apenas no que se tem passado no nosso país nos ultimos 15 anos, ora vejam estes casos: Casa Pia, Apito Dourado, Saco Azul, Face Oculta, etc. No campo de polémicas, que tem a ver com saúde e a nível mundial: Vacas Loucas, Lingua Azul, Grip das Aves, H1N1 (grip A), etc. Por amor de Deus! Já chega! Basta! leva-me a dizer como o outro: -"Quero voltar para a Ilha".

Eu tenho uma opinião formulada em torno das polémicas doenças e que tanto medo acaba por causar: Morrer, sempre se morreu, desde que há vida há morte, e, ninguem me vai convencer que à centenas de anos não existiam vacas loucas, lingua azul, grip em aves e a grip H1N1! Isto é polémico, gerado pelos orgãos de comunicação social em conjunto com os laboratórios.

Tambem, no meu entender, o que é que me interessa se vou morrer com isto ou com aquilo! Morrer é morrer! Tambem dizem: -"É preciso prevenir, por isso é bom que se lance o alerta". No tempo dos meus avós, não havia alertas e, pouco ou nenhuma assistencia médica existia, se não se morresse de novo de velho não escapava, tal como agora. O mais certo é que já existiam essas doenças que hoje, para lançarem o pânico, lhes dão esses nomes.

Então o homem é o animal que mais mortes causa e depois tem medo de morrer!

Na outra encarnação quero ser Macaco ou Tarzam mas não fictício.