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2013/09/06

A MORTE DE BOMBEIROS CAUSADOS PELOS INCÊNDIOS!


Meus amigos... Boa noite!
A minha opinião sobre o que está acontecer, relacionado com a morte dos Bombeiros no combate aos fogos, deixem que vos diga que isso é tudo culpa de toda a gente, incluindo os próprios bombeiros, governo e população em geral! Vivi em Angola durante 14 anos e, muito novo apercebi-me de que a existência de faíscas provocadas pelas chuvas, aconteciam precisamente nas alturas em que menos chove e o tempo está mais quente! Isto porquê? A natureza está muito bem formada, mas o bicho homem tenta combater-lhe a formação mas não tem hipótese! Pois as faíscas são precisamente para provocarem os fogos e assim poderem arderem os campos que têm ervas e arbustos secos, para que possa nascerem verduras e assim alimentar os animais, pois o homem não tinha que ser dono de animais e nem sequer dono dos campos! Em Angola assisti a muitos fogos que eram feitos pelas faíscas e que todos ficavam a ganhar com isso, pois se não fossem provocados pelas faíscas o próprio homem os punha para que houvesse caça em abundância! Sendo o homem dono dos campos, tal como o são nos países capitalistas e civilizados, que de civilização nada tem, tanto limpavam os campos, como agora deram em os terem ao abandono! Como se encontram ao abandono, o mato cresceu, morreu e outro cresceu, mas já atrofiado por entre pequenos arbustos e, é num amontoado de substâncias secas, que caso se incendeie arde que nem pólvora! Na minha modesta opinião é que, não deveria haver ordens para que os Bombeiros, ou outros, tivessem que apagarem os fogos que venham arder nos matagais, e, por todo o lugar onde não ponha em risco as vidas das pessoas e animais! Deveriam, isso sim, ficarem somente em protecção às habitações e animais domésticos! Deixem arder os pinhais e floresta que as chuvas se encarregaram em trazer mais verduras e renovar o que o homem protege e despreza! Por favor… como não há lei para castigar os incendiários, deixem arder e poupem as vossas e nossa vidas!!! 

2010/03/13

Porquê… necessidade de ser selvagem?


Logo que cheguei a Angola fui viver, numa fazenda de café, entre grandes árvores centenárias, entre os morros do Amboim, Cuanza Sul, perto das belas cachoeiras (quedas de água) que se situavam entre a Gabela e Novo Redondo, actual “Sumbe”. Ali, o ar e as águas eram puras e os únicos barulhos que se ouviam eram os cantares dos belos pássaros que nidificavam por entre a ramagem das palmeiras, dos banzes, bananeiras, taculas, mulembas e cafeeiros.
Aquela era uma zona de muito cacimbo (nevoeiro). Nalgumas manhãs, ele era tão denso que apenas se conseguia vislumbrar o que quer que fosse a uma distância de vinte metros.
Só por volta do meio-dia, quando o Sol rompia víamos aquelas árvores repletas de pombos verdes. Eram tantos que por vezes havia árvores que continham mais pombos do que folhas. Estes viajavam em tão grande velocidade que perante o cacimbo não tinham tempo de parar antes de embaterem contra a nossa casa, que com a sua parede branquinha se confundia com o nevoeiro e acabavam por morrer.
De vez em quando, víamos passar por entre a selva, com plantações de café por baixo de arvoredo de grande porte, um comboio movido a lenha que fazia o trajecto de Porto Amboim à cidade da Gabéla, transportando mercadorias e pessoal. Embora fosse muito lento, este dava uma imagem bonita por entre a selva da montanha, conhecida como “Os morros do Amboim”.
Ali, na fazenda “Quitona” dependência da sede do “Congulo”, estávamos no mato, isolados de toda a civilização, não havia sequer uma escola por perto.
Ali existiam muitos tipos de animais selvagens. Desde javalis, veados, galinhas do mato até milhares de macacos de várias raças.
Lembro-me que um dia, eu, as minhas irmãs e uns amigos negros, entrámos pela mata adentro e por cima de uma enorme laje, na qual estavam sobrepostas outras grandes pedras com cerca de quarenta metros de altura, vimos um vulto branco que se deslocava constantemente sem sair da laje. Passado pouco tempo, notámos que era um grande macaco, talvez pertencente à família dos chimpanzés e, tal como existem pessoas Albinas, também ele o seria e viveria solitariamente por ter sido expulso do clã.
(Isto foi o que eu deduzi).
Passados mais uns quatro anos o meu pai deixou de trabalhar para esse patrão e foi trabalhar alguns meses por conta de seu irmão (Carlos dos Santos Sousa) na Quilenda, mas logo descobriu, no lugar do Lundo, mais propriamente junto à “sanzala Cananguena” junto ao rio N’hia, numa das savanas angolanas, uma fazenda com cem hectares, de um proprietário, que se encontrava abandonada.
Aí ficámos até Junho 1975, data em que tudo tivemos que abandonar.
Durante os cinco anos que vivi nas fazendas de Mário da Cunha, eu tinha poucos amigos para conviver, mas na Cananguena tudo mudara: havia muitos adolescentes da minha idade: rapazes e raparigas de raça negra. Como sempre fui de fácil acesso à integração nas comunidades onde vivo, também ali não foi excepção.
Aquela aldeia “Cananguena” como todas outras das savanas ou da selva, era constituída por casas, na sua maioria em forma de círculo, e de paus juntos espetados nos quais era chapada terra misturada com capim seco, que ajudava na consistência da parede, e água, amassada com os pés. A cobertura das casas era feita, também, com paus em forma de cone, que, em vez dos pregos, eram atados com cordas feitas de fibras do caule de árvores: Mulemba, Palmeira ou até mesmo do capim seco entrançado.
Depois eram sobrepostos, sobre essa cobertura de paus, capim ou ramagem de palmeira e assim se formava o tecto.
Alguns porém, já utilizavam a forma de blocos: numa forma, construída de madeira, com quarenta centímetros, quinze de largura e vinte de altura, era colocada aquela massa de terra, puxava-se a forma e logo de seguida fazia-se o mesmo e assim sucessivamente faziam-se centenas de blocos com os quais se erguiam as paredes. Estes blocos eram assentes uns sobre outros unidos com a mesma terra da qual foram construídos. As coberturas, também, eram feitas com paus e capim ou rama de palmeira. Estas casas já eram menos toscas mas, também elas, se enquadravam muito bem na savana, na selva, não destruindo assim, aquele habitat onde tudo era natural.
Era naquela aldeia, com os meus amigos de raça negra, que eu brincava, crescia e aprendia todos os segredos das savanas e selvas africanas. Era também com eles que ouvíamos as estações de rádio que transmitiam muita música de cantores angolanos e cabo-verdianos Eu sou branco por fora, mas, sinto-me negro por dentro.
Com os meus amigos aprendi e acompanhei os seus rituais, a falar Kimbundo e a comer à mão o Funge (pirão) com kuizaca da rama de mandioca, calúlú de rama de batata-doce, quiabos, gimboa, beringelas etc. etc.
Sentia-me um jovem feliz, como todos os outros, éramos livres… éramos a savana e a selva, e, a savana e a selva não tinham sentido sem nós.

Ai que saudades eu sinto destes sabores! Dos sabores… do cheiro, do clima tropical, da chuva quente, de sentir a terra vermelha nas solas dos pés, do chilrear dos pássaros, dos gritos dos macacos, do roncar do javali e da onça (gato do tamanho de um cão grande parecido com um leopardo e muito perigoso), saudades de ouvir e ver as quedas de água (cachoeiras) do rio onde se formava um arco – íris sobre as partículas de água que se projectavam no ar em forma de nevoeiro. Saudades do nascer e por do Sol. Saudades, mas muitas saudades, dos meus colegas e amigos a quem ensinei a ler e a escrever.
Ali não havia pressa para nada. Não precisávamos de relógio. Comia-se quando se tinha vontade.
Dançava-se Kizomba nas clareiras, em frente das casas, por baixo das copas de grandes árvores.
Nos fins-de-semana à noite havia farra, kizomba, ao som de instrumentos, berimbau, batuque, réco-réco, construídos pelos próprios músicos. Até latas serviam para criar sons e dançar toda a noite.
São tantas as saudades que tenho dessas grandes farras na minha idade dos 15 aos 22 anos, onde o ambiente era de pura felicidade e todos iguais.
Não havia preconceitos e dançavam eroticamente, numa grande clareira onde a luz era dada por uma grande fogueira. Aquele era o verdadeiro mundo criado por Deus. Todo aquele povo era um povo humilde.
Nas árvores e caniços das bordas dos rios e ribeiros, os pássaros construíam milhares de ninhos. Havia, mesmo, árvores que chegavam a ter mais ninhos do que folhas. Esses ninhos eram construídos por artesãos que o ser humano não tinha capacidade de entender. Como é que um pássaro consegue entrançar tão bem aquela palha?
Tinham a forma de uma cabaça, ou, de um balão. No topo deixavam-lhe um buraco e era-lhe feito um tubo, com cerca de trinta centímetros, curvo, virado para baixo. Toda a construção era feita de palha “capim” e no seu interior, onde punham os ovos, era colocado algodão ou um material idêntico que era recolhido de uma outra árvore ou da Palmeira.
Eram milhares de filhotes que com os pais produziam sons ao estilo da fauna Africana.
Havia centenas de espécies de pássaros, uns construíam os ninhos nesses ditos arbustos, outros faziam-nos nas Palmeiras, tudo dependia da espécie de pássaro. Havia ainda outros que abriam buracos nos troncos das árvores e lá colocavam os seus ninhos. Havia também nas savanas várias espécies de formigas, das quais vou de uma:
A formiga que depois de nascer “criava” asas para as utilizar somente em dez segundos. Era conhecida por “Salalé”. Esta formiga percorria a savana na busca de folhas e derivados, para o seu sustento.
Mas abria na terra autênticas “cidades” que chegavam a atingir uma profundidade de três metros e uma largura de metro e pouco.
A terra era colocada fora por cima da mesma “cidade”, deixando-lhes orifícios por onde entravam. Esse amontoado poderiam atingir mais de dois metros de altura, e formavam-se, nesses locais, centenas deles, de tal forma que, poderíamos compará-los com uma cidade erguida pelo homem, constituída por prédios de trezentos e tal metros de altura.
Lá no fundo, no buraco, faziam corredores em forma de espiral que podiam atingir um percurso de um quilómetro, deixando, de vinte em vinte centímetros um buraco que daria para salas: “galerias”, onde depositavam os alimentos para entrarem em decomposição.
Numa dessas galerias residia uma formiga que era a rainha-mãe. Não se podia mover porque tinha uma grande barriga repleta de ovos.
Só ela é que punha ovos e todos os dias, as outras formigas, tinham que transportar esses ovos e colocá-los nas galerias junto do alimento que, em decomposição já tinha fungo e estava destinado ao aquecimento dos mesmos e a alimentar os recém nascidos.
Após as primeiras chuvas saíam aos milhões e logo depois de terem sido projectadas no ar formavam uma nuvem e 10 segundos depois perdiam as asas e caiam para dias depois voltarem a ser o que são: as que trabalharam para a sua existência.
No entanto, dos milhões, poucas tinham essa sorte, pois ao saírem do fundo da terra, de onde foram geradas, muita passarada sobrevoava aquele lugar e comia-as.
Havia ainda outro contra para aquela formiga: os meus amigos negros, levavam com eles recipientes com tampa e quando as viam sair pelos orifícios do amontoado, apanhavam-nas e/ou metiam-nas aos punhados na boca e comiam-nas, ou levavam esse, recipiente, cheio para casa e fritavam-nas com óleo de palma, servindo assim de conduto para molhar o pirão.
Este episódio faz parte de outros mais, que poderão ler no meu blog, e que me fazem sentir o deseijo de ser “selvagem”.

2010/03/10

Trombas de água, Furacões, Tornados, Vulcões

O planeta terra encontra-se em actividade constante. Se pudéssemos perfurar a sua camada, até ao centro do Núcleo interno (sólido - além de 5100 km). Tomado por inteiro a terra é composta por Crosta, Litosfera, Astenosfera, Manto, Núcleo externo, Núcleo interno.

A aparência de nosso planeta sofre constantes transformações. Algumas das mudanças ocorrem de forma repentina e violenta, como no caso dos terremotos e das erupções vulcânicas. Outros processos duram milhões de anos e são capazes de deslocar continentes, erguer montanhas e mudar completamente o aspecto da superfície da Terra. Além disso, a ação das águas dos rios, das chuvas e dos mares, os gelos e os ventos modificam profundamente o relevo terrestre.
A Terra se parece com uma esfera, ligeiramente achatada nos pólos. A parte sólida da Terra é chamada geosfera. A geosfera tem uma série de propriedades que ajudam a fornecer muitas informações sobre o planeta. A gravidade (força com a qual a Terra atrai os corpos próximos a ela, dependendo da distância desses corpos em relação ao centro do planeta) varia de um ponto a outro. Essas variações permitiram comprovar que o raio da Terra é maior no Equador do que nos pólos.
Se prefurassemos, como dizia, a crosta composta por solos agrários, calcários, granito, xisto, argila, saibro etc. etc., encontrar-se-ia no seu interior uma imensidão de matéria, em forma de papa, a mais de 5000 graus “celsius” a saltar, tal como acontece com o que ferve dentro de uma panela de pressão. Se fizermos a comparação entre um ovo e a terra, diríamos que a casca do ovo é a parte dura da crosta da terra que teríamos de furar até chegar á parte mole (papa). O interior da Terra permanece ativa, com um manto espesso relativamente sólido, um núcleo externo líquido, e um núcleo interno sólido, composto primariamente de ferro e niquel e que, em muitos lugares do planeta, acaba, esta matéria, por encontrar um lugar mais frágil e sair em grande disparo atingindo, assim, centenas de metros de altitude acabando por cair sobre o solo e escorrer centenas de metros e á medida que vai arrefecendo e solidificando-se torna-se em rocha. São os conhecidos Vulcões.
Para além destes existem os tremores de terra que consiste em existir fissuras (fendas) na placa (a casca da terra), são as chamadas placas tectónicas. Imaginemos a casca do ovo rachada, ou, uma placa rachada e ambas as partes, devido á pressão existente na interior, feita pela matéria (Lava), que embatem uma contra a outra, dezenas de vezes por segundo. Quando esse embate for mais violento e que atinja 5, 6, 7 ou 8 na escala de reechie acontece uma catástrofe podendo ceifar muitas e muitas vidas, tal como aconteceu recentemente no Haiti, Chile e Turquia, onde milhares de vidas sucumbiram.
Por outro lado, temos ainda os tornados, trombas de água que deixam um rasto de destruição, como se viu, já tanta vez, nos Estados Unidos da América, Canadá, México e outros, e bem á pouco tempo atingiu o arquipélago da Madeira. Estas actividades Naturais existem á milhões de anos. Foi através delas que se formou os contornos deste planeta que hoje temos. É preciso que as pessoas tomem a plena consciência e se venham a precaver a fim de evitar que vidas se percam não negligenciando a natureza. Á pouco tempo vi um documentário, televisivo, feito dentro da Amazónia com um povo indígena. Mostrava a forma de vida daqueles índios. As formas das suas casas e o habitat em que se encontram inseridos. Tenho a certeza que, da forma como vivem, preservando a natureza florestal, podem vir tremores de terra ou trombas de água, que as vidas não serão perdidas. E tenho para comigo, que uma tromba de água, como a que aconteceu na Ilha da Madeira, já aconteceu muita vez por cima do habitat da Amazónia e as vidas não sucumbiram. E por tanta coisa, e estas que acabei de falar, é que sinto que “queria ser selvagem”.

2010/02/26

Sem título


Este artigo é de autoria de
Pedro Vaz Serra economista


Há partes deste nosso mundo que, pensamos nó, não existem. Mas existem. E há efeitos da natureza que, por vezes, são aterradores. E mais aterradores ainda quando incindem num local onde a acção do próprio Homem ajuda à destruição, não só física, mas também moral, de todo um pouco.

E há uma zona do continente americano, habitualmente conhecida e reconhecida pela beleza das suas paisagens, pela cor do seu mar e pelos tons da sua areia - as Caraíbas - onde o resto do mundo gosta de ir passar uns bons momentos de descontração e lazer.

Nas Caraíbas existe, também, uma ilha - Hispaniola - partilhada por dois países, a República Dominicana e o Haiti que, desde 1804, é a primeira república da América Latina. Antes, o Hiti foi um colónia espanhola, depois passou para o domínio francês. E desde que assumiu a independencia, nunca mais conseguiu afirmar-se como país. Em duzentos anos, o Haiti teve mais de 30 golpes de Estado, marcados pela violência, pelo desrespeito total dos Direitos Humanos. Pela absoluta anarquia de um Estado que, simplesmente, não existe. E pela chocante falta de condições para aquilo a que podíamos classificar como o mínimo de dignidade para os seus cidadãos que, em bom rigor, nem sabem bem o que isso é. Por outro lado e em comparação com a vizinha República Dominicana, o Haiti destruiu completamente o seu ecossistema. Recordamo-no, a propósito, do que aconteceu na ilha da Páscoa, em que os habitantes esgotaram todos os recursos naturais, tendo sido obrigados a ir viverer para outro lado. Ainda hoje é um deserto. São exemplos práticos, lamentáveis e irreversíveis de ausência total de critério e de sustentablidade nas acções.

No Haiti, a terra tremeu - com especial intencidade - durante 30 segundos, no passado dia 12 de Janeiro. Serão mais de 200 mil as vítimas mortais. Serão, no mínimo, 3 milhões as pessoas directamente atingidas. Mas de 80% da população vivia com menos de 2 dólares por dia, ou seja, abaixo, muito a baixo, do limiar de sobrevivência. Hoje, em Port-au-Prince, não há água nem luz. Mas já não havia, antes do sismo, para a maioria da população. Hoje, o sistema de esgotos e condutas é inexistente. Mas já o era, para a maioria da população, antes desta catástrofe natural. Hoje, as habitações ruíram. Mas as construções que existiam espalhadas por aqueles morros não eram casas, eram um amontoado de pedras, ou tijolos, mais ou menos sustentados e emparedados sabe-se lá com quê, que permitiam que a população fosse tendo um simples tecto.

Por estes dias, os relatos, as fotos, as imágens que temos recebido são dantescas. Este território, particularmente afectado pelas condições naturais e pela auto-destruição, tem um povo moribundo, em agonia.

Estamos, seguramente, perante um daqueles casos onde toda a ajuda internacional é insuficiente. Para j´, as prioridades vão, naturalmente, para a criação de condições mínimas para aqueles que sobreviverem. E não é preciso muito. Todos os países já lá estão, ou vão a caminho. Para além de dinheiro, o Haiti precisa de orientação e de organização. Precisa de refundar a sua própria existência. O sismo que agora aconteceu veio mostrar, com uma ainda maior dureza, a realidade de 9 milhões de pessoas que habitam um território há muito esquecido. As Nações Unidas estão instaladas, há anos, no Haiti. Aliás, diga-se, as poucas infra-estruturas existentes (ou melhor, que existem...) são causa e consequência da presença da ONU. Mas é pouco, muito pouco. E, principalmente, é intangível e inacessível para a maioria da população. O Haiti não evoluiu, não cresceu, não conseguiu criar uma semente de esperança e um horizonte de vida para a sua população. Vive-se numa completa anarquia institucional.

Como quase sempre acontece - é a prova que "nós somos nós e as nossas circunstâncias", como afirmava Ortega y Gasset - os milhares de Haitianos que emigraram, ao longo das últimas décadas, para os Estados Unidos e Canadá, ocupam e desempenham, de pleno direito, posições e funções de destaque nas empresas e nas universidades, entre outros bons exemplos, sendo uma comunidade muito respeitada e com provas dadas. Uma comunidade criativa, empreendedora,criadora de emprego, tranquila, com visão. A antitése do que acontece no seu país de origem.

Não consegui dar um título a este meu texto, pois a dimensão da tragédia ultrapassa tudo aquilo que possamos escrever ou descrever e não há uma frase ou palavra suficientemente esclarecedoras para o efeito. Sei, apenas que é um imperativo de cidadania ajudar o Haiti.

Entretanto, já vi alguns sorrisos, através da televisão, nuns poucos haitinianos. Tal aconteceu - muito provavelmente, pela primeira vez em muitos anos - quando a ajuda internacional entregou um simples pacote de bolachas e um pouco de água a alguns daqueles que, vivendo mal desde sempre, vivem agora muito pior. Antes do sismo, no Haiti, a população tentava sobreviver. Hoje, no Haiti, depois do sismo, a população já não tenta nada. Apenas tenta manter-se viva, sem saber bem para quê. Que, pelo menos desta vez, o mundo possa transmitir e proporcionar aos que sobreviveram a mais esta provação um motivo válido, duradouro e consistente para continuarem a viver, apesar de tudo terem perdido. E, já agora, que o mundo não esqueça uma série de outros territórios onde, por acção do homem e não tanto por efeito da natureza, as circunstâncias da vida e as perspectivas de futuro são idênticas às do Haiti.

2010/02/23

Calamidade na Ilha da Madeira

No dia 20 de Fevereiro de 2010 por volta das 08 horas, no Oceano Atlântico, forma-se e arrasta-se uma monstruosa nuvem que acaba por embater contra os pontos mais altos da Ilha da Madeira acabando por se romper e derramar biliões de litros de água que acabaria por arrastar tudo o que encontrava. Terra, pedras, árvores, casas, pessoas, animais, automóveis, nada escapava aquela fúria do tempo. Nunca em toda a minha vida senti tanto arrepio como aconteceu ao ver, poucas horas depois, as imagens que invadiam o youtube. Vejam este sait: http://www.berdades.blogspot.com/
O Curral das Freiras esteve isolado mais de 24 horas, na sequência do temporal. Só dia a seguir foi possível restabelecer telefonemas, electricidade, bem como o acesso na única estrada para o local. Este lugar, com cerca de 4 mil habitantes, fica localizado no fundo de uma cratera vulcânica, rodeada com montanhas íngremes.
É a natureza! Encontro-me solidário com os madeirenses, povo este que estimo muito, em especial o seu presidente, Alberto João, por quem tenho uma grande ademiração. Agora há que por mãos á obra e, de cabeça erguida, reconstruir e apoiar os necessitados. A minha solidariedade e os sentimentos a quem perdeu familiares, coragem amigos!

2010/02/18

A tribo Dongria, da Índia, sente-se ameaçada



Tal como o povo azul Na'vi, do filme, a tribo Dongria, da Índia, sente-se ameaçada.

O apelo foi publicado na edição do dia 16 de Fevereiro de 2010 da revista Variety: a organização de defesa dos direitos dos povos indígenas Survival Internacional pediu ao realizador de Avatar, James Cameron, para ajudar a tribo Dongria Kondh, de Orissa, na Índia, cuja história é extremamente parecida à do povo Navi do filme. "Avatar é fantasia... e realidade", lê-se no anúncio. "A Tribo Dongria Kondh está a lutar para defender as suas terras de uma empresa de minério determinada a destruir a sua montanha sagrada. Por favor, ajude os Dongria."
A organização remete, depois, para o seu site (www.survivalinternational.org) onde está disponível o filme Mina: história de uma montanha sagrada. "Nós vimos o seu filme, veja agora o nosso", dizem a James Cameron. O filme, com onze minutos, conta a história dos Dongria e de como o local onde eles moram se encontra ameaçada por uma empresa inglesa, a Vedanta Resources. Os habitantes das colinas de Niyamgiri estão determinados a defender o seu território: "Só saio daqui quando morrer", diz para a câmara uma mulher. A refinaria já se instalou na base da montanha, obrigando parte da população a mudar os seus hábitos de vida e destruindo os recursos naturais. Agora que já sabem o que os espera, os Dongria garantem que não vão deixar a empresa estragar o que ainda resta do seu habitat. O director da Survival, Stephen Corry, explica num comunicado, que assim que viu Avatar detectou as semelhanças entre os Dongria e o povo "azul" Na'vi, do blockbuster de James Cameron. "Assim como os Na'vi descrevem a floresta Pandora como 'seu tudo', para os Dongria Kondh a vida e a terra sempre estiveram profundamente ligadas."
Até ao momento, não é conhecida qualquer reacção do realizador James Cameron a este apelo. Este fim-de-semana, o filme Avatar foi destronado do topo da bilheteira dos Estados Unidos, após oito semanas de liderança, pelo recém-estreado Dear John, de Lasse Hallstrom. Avatar já arrecadou mais de 2,3 mil milhões de euros nas bilheteiras e foi visto, só nos Estados Unidos, por 601 milhões de pessoas. Avatar, mexeu muito comigo visto que o protagonista deslocava-se em cadeira de rodas e esteve a executar um papel que eu já havia imaginado, para defender todos os povos que desejam viver no habitat natural.

2010/01/24

A VIDA E O PROPÓSITO DA MATANÇA




A morte existe, e os homens são os únicos animais existentes na terra que sabem que, ao nascerem também têm de morrer.

Existe a morte natural e a provocada. A provocada, é toda aquela que é feita por um animal a outro animal, algumas são feitas por necessidade de outros por servir para a sua alimentação. Isto processa-se de uma forma natural mas que a natureza criara propositadamente porque se todos fossem vegetarianos, e ao reproduzirem-se, jamais existiria lugar na terra para todos, se tivessem de morrer apenas por doença ou velhice. Mas para milhares e milhares, talvez mesmo milhões, de animais que são mortos por dia, alguns são por instinto, quando é feita por animais irracionais.

Para, o único animal racional, que é o homem, a morte feita por ele tem várias vertentes; a da alimentação, a da conquista e do ódio. E, é aqui, que os meus neurónios se põem em dúvida quando se diz que; o homem não deveria matar o seu semelhante. Eu pergunto: -O que aconteceria neste planeta, que existe há milhões de anos e que não cresce mantendo sempre o seu tamanho, se não houvesse guerras e os homens não se matassem uns aos outros? -O que seria de nós se não existisse na mente do homem o instinto do ódio, conquistar e matar?

Se não tivessem existido, desde sempre, as guerras e suas matanças o planeta já não teria há muitos anos, lugar para os seres vivos. Viajemos somente num tempo ainda recente, (o século passado). Na Primeira e Segunda guerra mundial, nos trinta anos de guerra no Vietname, na Jugoslávia, nos países do Médio Oriente, por toda a África e para não falar nos países das Américas! E os milhares que todos os dias, ainda hoje, são mortos por toda a terra! Se ao longo dos milhões de anos, esses biliões de seres Humanos, de várias idades, que foram mortos, chacinados, tivessem sobrevivido, ao reproduzirem-se e morrendo apenas por velhice ou doença, teria de haver uma outra forma, no planeta, para os albergar porque o planeta não estica, não cresce.

Desde sempre os homens se guerrearam e mataram, e é devido a esta intuição do homem que levou, também os homens, a inventarem as ceitas religiosas de onde surgiram, as bem conhecidas historias, dos que queriam salvar o mundo das guerras. Moisés, Jesus Cristo, Maomé, e tantos outros, mais recentemente, como Joseph Smith nos Estados Unidos da América da igreja de Mórmon, e ainda mais recente, em Portugal, em Fátima, com a aparição de Maria mãe de Jesus. Tudo isso com a intenção de fazer temer, ao homem, aquilo que a natureza criou. Porque ninguém consegue colocar seis litros de liquido dentro de um garrafão onde somente cabem cinco. No meu entender, apesar de nos causar sofrimento e dor, as guerras para a matança é um propósito natural formado pelo “quem tudo criou”, e por isso salve-se quem poder porque tarde ou cedo teremos que deixar de viver. É lamentável mas é assim! E o homem jamais irá conseguir mudar este sistema que, no meu entender, é um sistema natural, como todas as coisas criadas pelo poder divino, é a natureza. Tal como o Leão, o Tigre e outros que atacam o seu semelhante e o destrói, também o homem não foge á regra. A vida é assim… tem de se morrer, o mais rápido, para se dar lugar a outros.

DDT, QUININO E MALÁRIA



Vivi em Angola por toda a década de 60 e metade da década 70, nas savanas e florestas. A Malária, conhecida na época por Paludismo não matava. Durante os quinze anos não se ouvia falar em doentes ou mortes feitas por este vírus transportado por um mosquito. Não era que o vírus não existisse, mas existia prevenção. Era distribuído por toda a gente comprimidos “Quinino” que eram tomados um por semana. Todos os lugares onde se pudessem alojar os mosquitos, baratas, aranhas e outros insectos, como por exemplo, em capoeiras, corrais e em volta das habitações, eram desinfectados com um pó conhecido por DDT. Até mesmo, este pó era esfregado no couro cabeludo dos animais para os livrar dos parasitas e até nas cabeças de crianças quando apareciam com piolhos. O alastramento da Malária deve-se á retirada dos europeus das Ex-Colónias, entrando assim, esses países, no abandono no campo de prevenção e saúde. Por outro lado, também, tem a ver com a proibição, a nível mundial, do fabrico e utilização do benéfico pó branco “DDT”. Na África do Sul, na zona do Kwazululu- Natal, em 1996 o DDT é substituído por outro insecticida piretroide e o resultado é a Malária dispara de 20.000 afectados para 65.000. Só volta a descer, para os 8.000 em 2005, porque em 2000 o governo e as autoridades sanitárias retrocedem e voltam ao DDT. O DDT era, e é, um insecticida nosso amigo e toda a gente o tinha em casa. Durante os 15 anos que vivi no deserto Angolano, nunca adoeci e todos que por lá viviam usufruíam de boa saúde. Para acabar com essa terrível epidemia, que é a Malária, só será possível quando as entidades sanitárias de todo o mundo resolverem invadirem a África com a finalidade de distribuir o DDT e os comprimidos “Quinino”, tal como se fazia nas décadas de 50, 60 e 70 quando a prevenção estava a cargo dos governos colonizadores. Em 2004, um irmão de um cunhado meu regressou á terra que o viu nascer, Huambo, antiga Nova Lisboa, Angola. Em Novembro de 2007 faleceu contaminado pela Malária. Ele nasceu, cresceu e casou-se lá, veio para Portugal em 1975, tal como tantos, fugindo á guerra. Dizia ele: - Tenho que morrer onde nasci! Mal ele sabia que um mosquito o esperava para lhe sugar sangue e deixar, como tampão no orifício, o terrível vírus Malária.

O que é a malária e como se propaga
A malária ou paludismo é uma doença infecciosa aguda ou crónica causada por protozoários parasitas do género Plasmodium, transmitidos pela picada do mosquito Anopheles.
A malária mata 3 milhões de pessoas por ano, uma taxa só comparável à da SIDA, e afecta mais de 500 milhões de pessoas todos os anos. É a principal parasitose tropical e uma das mais frequentes causas de morte em crianças nesses países: (mata um milhão de crianças com menos de 5 anos a cada ano). Segundo a OMS, a malária mata uma criança africana a cada 30 segundos, e muitas crianças que sobrevivem a casos severos sofrem danos cerebrais graves e têm dificuldades de aprendizagem.
A designação paludismo surgiu no século XIX, formada a partir da forma latinizada de paul, palude, com o sufixo -ismo. Malária é termo de origem italiana que se internacionalizou e que surge em obras em português na mesma altura. Termo médico tradicional era sezonismo, de sezão, este atestado desde o século XIII. Existem muitas outras designações.
Transmissão
Fêmea de Anopheles alimentando-se de sangue humano A malária é transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos do género Anopheles. A transmissão geralmente ocorre em regiões rurais e semi-rurais, mas pode ocorrer em áreas urbanas, principalmente em periferias. Em cidades situadas em locais cuja altitude seja superior a 1500 metros, no entanto, o risco de aquisição de malária é pequeno. Os mosquitos têm maior actividade durante o período da noite, do crepúsculo ao amanhecer. Contaminam-se ao picar os portadores da doença, tornando-se o principal vector de transmissão desta para outras pessoas. O risco maior de aquisição de malária é no interior das habitações, embora a transmissão também possa ocorrer ao ar livre.
O mosquito da malária só sobrevive em áreas que apresentem médias das temperaturas mínimas superiores a 15 °C, e só atinge número suficiente de indivíduos para a transmissão da doença em regiões onde as temperaturas médias sejam cerca de 20-30 °C, e humidade alta. Só os mosquitos fêmeas picam o homem e alimentam-se de sangue. Os machos vivem de seivas de plantas. As larvas se desenvolvem em águas paradas, e a prevalência máxima ocorre durante as estações com chuva abundante.
A infecção humana começa quando um mosquito Anopheles fêmea inocula esporozoítos dos plasmódios a partir da sua glândula salivar durante a hematofagia. Essas formas são transportadas pela corrente sanguínea até o fígado, onde invadem as células e começam o período de reprodução assexuada. Mediante esse processo de amplificação. Um único esporozoíto produz vários merozoítos-filhos. Nas infecções por P. vivax, uma parcela das formas intra-hepáticas não se divide de imediato, permanecendo latente, na forma de hipnozoítos, por um período variável de 3 semanas a 1 ano ou mais antes que a reprodução comece, e são a causa das recidivas das infecções.
Mais tarde a célula se rompe, liberando merozoítos móveis na corrente sanguínea e rapidamente os merozoítos invadem os eritrócitos e se transformam em trofozoítos. A fixação é mediada através de um receptor específico da superfície do eritrócito. Ao fim do cilco evolutivo intra-eritrocitário, o parasito consumiu quase toda a hemoglobina e cresceu a ponto de ocupar a maior parte do eritrócito. Agora denomina-se esquizonte. Ocorrem múltiplas divisões celulares, e o eritrócito se rompe para liberar 6 a 30 merozoítos-filhos, cada um potencialmente capaz de invadir um novo eritrócito e repetir o ciclo. A doença em seres-humanos é causada pelos efeitos directos da invasão e destruição eritrocitárias pelo parasito assexuado e pela reacção do hospedeiro. Depois de uma série de ciclos assexuados ou imediatamente após a liberação do fígado alguns dos parasitas desenvolvem-se em formas sexuadas de vida longa, morfologicamente distintas, responsáveis por transmitir a malária.
Após serem ingeridos durante a picada de um mosquito Anopheles fêmea para alimentar-se de sangue, os gametócitos masculinos e femininos formam um zigoto no intestino médio do insecto. Esse zigoto amadurece até um oocineto, que penetra e encesta-se na parede intestinal do mosquito. O oocisto resultante multiplica-se por divisão assexuada, até romper-se e liberar grande quantidade de esporozoítos móveis, que em seguida migram pela hemolinfa até a glândula salivar do mosquito, onde aguardam a inoculação em outro ser humano na segunda picada.

2009/12/30

Big Bang... ou Deus




Existe quem defenda que a formação do universo foi através da explosão de um átoma, ou seja: um átomo primitivo ou ovo cósmico em dado momento provocou uma violenta explosão (Big Bang em inglês). Assim, se terão formado as protogaláxias que postoriormente origináram as galáxias, depois as estrelas e, por fim os restantes corpos selestes. O movimento inicial da explosão da matéria ter-se-á iniciado entre há 10 e 20 bilhiões de anos. No momento da explosão partículas atómicas de grande e pequenas dimenções espalharam-se por todo o universo que até então estava vasio e só existia, comprimido, uma concentração atómica num sitio minusculo na infindável dimenção do universo. Assim, mais tarde, surgiram os cometas, estrelas, planetas e toda a massa atómica, visivel e invisivel, formando tudo o que existe. Milhões de anos depois, foram tomando formas diferentes, passando por vários processos, até que hoje, na nossa era, é o que conhecemos e o que temos. Foi, supostamente, a essa explosão a que deram o nome de Big Bang.
Mas não... na minha ótica, essa teoria está completamente errada. Jámais seria possivel que, tão grande perfeição, existente em tudo o que conhecemos, a forma como tudo se cordena, a beleza em tudo o que existe na terra, tenha surgido de uma explosão atómica. Não, o Big Bang é ficção, e que não haja dúvida de que tudo foi construido por um "ser", o qual a sua constituição física, o homem desconhece mas que, ao mesmo, lhe chamomos de "Deus"
Não vou dedicar-me aqui a falar das várias coisas feitas por esse Deus. Como por exemplo, o sol que aquece a terra e lhe dá luz, e em torno do qual a terra dá uma volta em 365 dias, a mesma terra faz uma rotação sobre si própria em 24 horas etc. A água, fonte da vida, evapora, condensa-se na atesmofera e cai sobre a terra fazendo com que todos tenha água e que germinem as sementes, cresçam e alimentem os seres vivos. Isto, é só um pequeno resumo dos milhões de coisas perfeitas que esse Deus criou. Mas vou falar aqui, também um pouco, de uma das suas obras, o Homem.
Reparem bem, no nosso corpo: qual o computador mais sofisticado que chegará algum dia a igualizar o homem? Os olhos transmitem informações ao cérebro que, por sua vez as transmite ao coração e vários sentimentos surgem, como a tristeza, felicidade e desejos. Desejo de comer, de agir, de possuir algo. Se for o caso de possuir uma mulher para a qual olhamos e, se for este o caso, vejamos o que acontece: ao entregarem-se a esse desejo e copularem, ao consumar-se o facto, atinge-se o climax replindo-se, do macho, espermatozóides no útero e ao fazer junção com o óvolo surge o feto, e logo se dá o processo de gestação de mais uma vida. Depois essa vida sai do ventre e passado uns tempos vai revolucionar a terra, construindo máquinas com as quais se rasgam os solos e os transformam, cultivando-os, abrindo vias de comunicação, construindo pontes etc. Constroem a radio, televisão, telefones e computadores com os quais, no memo instante e através dos electrões, contactam uns com os outros em qualquer parte da terra ou no espaço.
Isto foi só uma minuscula parte da grande e perfeita obra de Deus. Que ninguém tenha dúvida de que, tudo o que existe é obra de um "ser", com muita sabedoria e poder, ao qual chamamos de Deus, e, Deus é só um, mas não o Deus que apregoam nos livros de fixão, na Biblia, no Tora ou no Corão.

2009/12/28

Queria ser selvagem


O titulo do meu blog é a realidade do que sinto, do que gostaria de ser. "Selvagem", sim... Este sentimento que me invade a alma, deve-se ao facto de ter vivido 14 anos da minha vida, entre selvas e savanas em Angola.

Neste sistema, que teimam em chamar de "civilizacional" não tem lugar para o meu ser, para a minha alma. Aqui, neste sistema, onde sou obrigado a viver, sinto-me como um pássaro em gaiola, preso sem liberdade.

O mundo, dos chamados "civilizados", não tem lugar para mim. Neste lado, onde as habitações chegam a serem mais altas que as árvores, o chão do verde da natureza é substituido pelo negro do alcatrão ou cinzento do betão, e, as regras criadas pelos homems tiram-me a liberdade.

Naquele lado, perto dos meus 9 e 23 anos, vivi com a natureza. Vivi com os meus amigos de raça negra da selva e savana. Não necessitava-mos de dinheiro, porque o dinheiro não comprava nada e tinhamos tudo para sermos felizes.

Não eramos refens do relógio, não tinhamos e não precisavamos dele.

Sempre que os rapazes da minha idade iam á caça levavam-me com eles. E eu, mais um deles, ficavamos sentados em cima de uma grande lage de um pedragulho, de tantos que existiam no interior da selva, enquanto os outros caçavam.

Os seus pais tinham pequenas lavras, onde, maioritariamente, eram as mulheres quem com um sacho, que tinha um cabo com apenas trinta centimetros, debruçadas, com as crianças de tenra idade dormindo deitadas sobre o seu dorso e seguras por uma "tanga", iam cavando a terra o que não era preciso muita coisa visto que se tratava de terreno tufoso e fértil.

Ali plantavam batata-doce, mandioca, ananás, abacateiros, papaieiras, mamoeiros e bananeiras. Semeavam milho, feijão, massambála e amendoim (Jinguba). Todos tinham muitas árvores de frutos, mangueiras, abacateiros, bananeiras, goiabeiras, mamoeiros, papaieiras, pitangueiras, laranjeiras, fruta pinha (sap-sap) e tantos outros.

Na selva, tambem, havia muita e grande variedade de frutos e legumes que já nem me lembra do nome de tais, mas sei que eram muito gostosos e nutritivos, quando pensso neles ainda lhes sinto o gosto.

Quando o sol nascia, lá começava o despertador da selva a funcionar, com uma bela melodia de tons feitos pelas dezenas de variedades de raças de aves e o grito dos macacos, tabem, de várias raças.

Saía-se de casa, casas feitas de paus atados, forradas as paredes e cobertas com "capim" ou rama da palmeira, em algumas, nas paredes, era chapado barro com erva seca misturada para poder ter mais conssistencia. A primeira coisa a fazer-se, quando se saía, era defecar encostado a uma árvore por entre outros pequenos e grandes arbustos e capim ao som da selva. Depois dava-se um mergulho no largo rio que ali passava. Voltava-se a vestir os calções e, ou não, a t-shert. Regressava-se a casa no Kimbo (aldeia), enquanto se colhia lenha e se apanhavam alguns frutos que ao mesmo tempo se aproveitava para matar-o-bicho (pequeno almoço).

Ali, eramos livres como toda a selva o era!

Ali, não havia pressa para nada. Tambem não existiam tabus. Eramos todos naturais e vivia-se tal como os outros animais vivem no espaço livre e natural.

O ser humano tinha toda a liberdade que os outros animais selvagens têm. No que diz repeito ao acto de copular, funcionava tal como a natureza o criou. Tal como acontece com os outros animais e aves, praticava-se sempre que o homem e a mulher assim o desejassem. Claro que, não á vista de todos. Não importava a idade, o que importava era o desejo. Era, também, normal e natural verem-se raparigas com 13 ou 14 anos já mães. Se na mulher lhe vem a menstruação aos 12 ou 13 anos foi a natureza que assim o deliberou para que, a mesma, pudesse procriar. Se esse facto está errado, no chamado mundo civilizado, e só poderiam serem mães a partir dos 16 ou 18 anos, porque é que a menstruação lhes vem mais cedo? Tal, como o mundo "civilizado" defende, é que, o casamento ou união, a cópula, o procriar, deve ser feito só a partir da maior idade que, segundo eles, agora é aos 18 anos! Pergunto: -Etão porque é que o homem inicia a ejeculação e a mulher a menstruação mais cedo? Isto não é viver a vida com liberdade. Viver a vida com regras, não é ter liberdade.

Também, naquele povo onde vivi, não existia a regra ou complexo de a cópula ser praticada entre homem e mulher de idades próximas.

As regras, tabus, burocracias, corrupção do homem da chamada "civilização" eram desconhecidas do meu povo, o povo da verdade que me integrou na sua comunidade e me ensinou os segredos da selva.

O homem que vive no lado da chamada "civilização", principalmente os media, quando mostram os povos que vivem dentro daquelas selvas e savanas, longe deste manicómio, dizem que "eles vivem em extrema pobreza". Este raciocinio irrita-me! Pois eu digo que, quem vive na pobreza são os que vivem neste lado, no lado onde o humanismo não existe, e tudo fazem para adquirir coisas, e, até se intrometem no habitat dos que querem viver na paz da natureza. Estes sim... estes, do lado chamado "civilização", vivem em grande pobreza e loucura.

Ser selvagem é sr-se livre. Ser-se civilizado é viver-se refém de coisas, regras e leis.

Homens a imporem regras e leis sobre outros não tem cabimento!

Eu queria voltar a ser selvagem! Viver na selva! Não importa se na Amazónia, na Ásia ou em África, mas queria ser selvagem.