2010/01/08

A deficiência e as instituições vituais



Por mais que se criem "protótipos" com o nome de instituições e gabinetes, para protecção e direitos dos deficientes e crianças desfavorecidas, e por mais que os orgãos de comunicação social, imprensa e televisão, nos tente mostrar uma imagem das coisas criadas ou realizadas por meio desses orgãos instituicionais ou estatais, tudo não passa de um mundo virtual. Nada é real, a unica realidade existente nesse mundo virtual são os dirigentes dessas instituições serem detentores de altos ordenados que lhes permitem viver num alto nível de vida,
É revoltante aquilo pelo qual eu já passei e sei que outros já passaram por coisas bem piores que as minhas até que fora obrigados a desistir, do que necessitavam, derivado á burocracia que por ali se encontra como ciclo vicioso.
Quando em 1988 tentei tirar a carta de condução, passei por vários processos e por vários gabinetes, do estado, instituições e juntas médicas, travando uma luta contra todos eles que se arrastou por quatro anos e só depois de eu fazer uma exposição ao Sr. Primeiro-ministro, que na altura era o prof. Anibal Cavaco Silva, me deu o direito a ser avaliado pela Direcção Geral de Viação (DGV), onde o resultado me foi favorável e lá tirei a carta de condução
Já há vinte e três anos que ando nas estradas, conheço Portugal desde o Minho ao Alentejo e da Figueira da Foz a Vila Velha do Rodão. Conheço ainda Lisboa e Porto diria, quase como as palmas das minhas mãos. Tive quatro carros, já fiz cerca de um milhão e quatro centos mil quilómetros e nunca nunca provoquei um acidente.
A burocracia existe e está bem implantada nessas instituições "virtuais". Ninguém é capaz de poder imaginar as voltas que tive que dar na Segurança Social, Juntas Médicas e outros gabinetes estatais para sempre me ser negado o direito a ter uma cadeira de rodas. Foi mais uma grande luta que tive de travar até conseguir o que me era de direito. Mas eu sou um lutador por natureza e quando quero alcançar algo vou até até à ultima instância, não desisto.
Há muitas coisas que me revoltam neste mundo virtual, muita gente devem ter visto, na novela "Páginas da Vida" a forma discriminatória, por parte dos professores, como era tratada a pequena Clara que era portadora de Trissomia 21. Aquela era uma novela triste e muito revoltante mas é real esta forma de discriminação para quem não teve a culpa de ser diferente.
Mesmo bem perto do local onde vivo, em Soure, numa escola onde entre todas as crianças existia uma com atrofiamento mental e que era tratada de uma forma diferenciada. Tive conhecimento de que um dia quando era entregue, a todas elas, creme dentífrico e a respectiva escova, ao mesmo tempo era-lhes ensinada, uma por uma, a forma como utilizar e o tratamento para a higiene da boca. Mas aquela criança hvia sido nigligenciada, entregando-lhe somento para a mão o respectivo material.
Estive a viver algum tempo no Porto (segunda maior Cidade de Portugal) e um dia vi um quiosque pertencente à Câmara Municipal que estava fechado. Como me interessei por ele, escrevi uma carta ao Presidente da Câmara, Dr. Rui Rio, passados poucos dias recebo um telefonema do pelouro da coordenação para a deficiência. Desloquei-me a esse local, na data indicada e logo fui recebido, com grande delicadeza e reconhecimento, para uma sala de espera e esperei que o senhor coordenador me chamasse. Esse senhor coordenador sofria de grande atrofiamento na fala e na cordenação dos membros, mas depois de eu ver a forma como havia tratado de tudo e a eficácia com que o fez, cheguei a uma conclusão: todas as pessoas que estão à frente dessas instituições ou gabinetes deveriam ser os deficientes, porque eles sentem na pele o problema da deficiência e com eles não haveria burocracias nem obstáculos para chegarmos aquilo a que temos direito.
Uma coisa eu vos digo: deficiência não é um problema, o problema são os que abusam da deficiência.

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